Falando em Vocação, vamos comentar como era a vida dessas mulheres antes de descobrirem sua vocação e como é agora dentro da Congregação.
Depois diremos quais são os requisitos de ingressar em um Convento e falaremos mais a respeito.
Irmã Maria do Amparo: Nasceu no Piauí, mas resolveu ir a Fortaleza a trabalho. Não era uma pessoa das mais religiosas, mas tinha muito interesse em conhecer a respeito. Sua patroa era católica, e costumava fazer convites para que ela frequentasse a igreja. Foi na igreja que frequentava que teve seus primeiros contatos com freiras e então disse ter "ouvido" a voz de Deus e que acreditou no chamado. Apesar de ter feito catequese e entrado para o grupo de jovens, nunca pensou em ser freira.
À princípio os familiares não entenderam a decisão de Maria sobre ingressar para o Convento, pensaram que Maria estava fugindo de alguma coisa, que havia aprontado. Recentemente, no último dia 12 de outubro, fez seu Voto Perpétuo, como se fosse uma ‘formatura’, indicando que Maria passou os 5 anos de experiência do convento e agora está apta. Nós estivemos presentes e contaremos com mais detalhes em breve.
Maria acredita que quando alguem deseja entrar para um convento deve ter um ideal e não para fugir/esconder-se do mundo. Ficou 2 anos no convento de Fortaleza e depois mudou para São Paulo.
Noviça Rafaela: É a mais nova da Congregação, com 21 anos. De início não queria ser freira, nunca passou pela cabeça dela, mas tinha uma vida religiosa normal. Fazia parte do grupo religioso de sua paróquia em Fortaleza, mas mesmo assim gostava muito de ir para festas. Uma hora estava nas festas, outra na igreja, sua mãe reclamava disso. Chegou a prestar vestibular para fazer faculdade de Serviço Social ou História. Uma vez, quando visitou um convento, Rafaela se impressionou com as freiras, com a simpatia e sentiu que era aquilo que queria, sentiu o chamado de Deus. Foi quando decidiu seguir a vocação, as irmãs não botaram muita fé, pelas roupas que ela vestia, pelo tipo de vida que levava, mas mesmo assim ela insistiu. Mais uma razão de sua escolha, se deu pois gostaria de ter um caminho diferente das outras garotas, que estavam engravidando cedo demais e tomando decisões erradas no lugar onde nasceu. De princípio, sua mãe não aprovou sua escolha, pois já tinha um destino traçado para a filha.
Irmã Ana Edna: Nasceu em Minas Gerais. Seus pais eram católicos. Ana Edna tinha 19 anos, uma vida comum, teve seus namorados, trabalho, estava prester a se casar, mas o chamado lhe guiou rumo a vocação. Foi com a vinda de Irmãs a sua cidade que Ana Edna conheceu a fundo a vida religosa. Ela diz que você não precisa basicamente casar e ter um marido para ser feliz. Existem outras opções, essa não é a única escolha. Hoje ela pode dizer que a vida Congregada é o que a faz feliz.
Ambas as freiras entrevistadas disseram que ouviram o chamado de Deus. Deram exemplo como um sentimento bom, uma voz interior indicando em direção ao caminho certo.
Falando sobre a roupa que vestem, o 'hábito', elas nos contaram que é como se fosse um uniforme, indicando as freiras. Não há cor específica, cada congregação tem a liberdade de escolher a cor, desde que seja uma cor neutra. Mas, a cor tradicional é preto.
A Idade mínima para ingressar no convento é 18 anos. Primeiros 5 anos são como se fosse anos experimentais, de experiências. Passado os 5 anos, a freira já está apta a ficar de vez no convento. Nestes 5 anos há algumas etapas como o postulantado (formação humana, conhecimento próprio, clausura, convívio com coisas diferentes das vividas fora) e noviciado (como se fosse um 'noivado' com a religião) etc.
Quem não serve para ter compromisso, não serve para entrar no convento.
Vida consagrada pode parecer uma prisão para algumas pessoas, pelas regras, pelo estilo de vida, mas elas deixam bem claro que é um ato de liberdade. Liberdade de deixar a vida externa e entrar no convento. Quando se ingressa na vida religiosa, as irmãs chamadas se sentem completas, nada no mundo externo lhes chamam atenção.
Sobre dinheiro, é necessário fazer voto de pobreza, é como um símbolo de riqueza de espiríto. Elas tem uma lojinha que vende coisas religiosas, tudo que um padre precisar, ele pode encontrar lá, é o dinheiro da loja que as mantem. Com ele, elas só compramo que realmente necessitam.
Perguntando sobre o que assistem elas nos contaram que de TV só telejornais e alguns filmes, tanto porque o horário livre delas, só bate com o do jornal.
Em relação a Rotina no Convento, de segunda á sexta-feira é isso aqui:
05h15: Hora de acordar. 06h: Missa. 06h30: meditação. 07h: Café da Manhã.
11h45: Meditação/oração. 12h-14h: Almoço/tempo livre. 14h: Espiritualidade (estudos/filmes)
19h30: Jantar 21h: Última oração. 21h20: Tempo livre para dormir e fazer o que quiser.
Aos sábados é feita a limpeza da casa e os domingos são livres para cada freira fazer o que quiser.
Durante o ano, os familiares podem visitar a Congregação. Mas é só 1 vez ao ano, durante 30 dias, que elas podem viajar para passar com a família.
É interessante falar que elas não tem preconceito com nenhum tipo de religião. O que importa é fazer o bem, seja a religião que for. Respeito acima de tudo.